PNUMA alerta: área equivalente a do Brasil pode estar degradada até 2050

Degradação trará consequências para produção de alimentos e os ecossistemas

Davos, 24 de janeiro de 2014 – Estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alerta que o mundo pode ter 849 milhões de hectares, uma área equivalente ao território do Brasil, degradados até 2050 se os padrões insustentáveis de uso da terra forem mantidos. A necessidade de produzir alimentos para uma população global em crescimento levou a agricultura a ocupar 30% das terras do mundo, resultando em uma degradação e perda de biodiversidade em 23% dos solos globais. Entre 1961 e 2007, as terras cultiváveis foram expandidas em 11%, índice que continua a crescer.

O relatório Assessing Global Land Use: Balancing Consumption with Sustainable Supply, produzido pelo International Resource Panel (IRP) com a participação de 27 cientistas, 33 representantes de governos e outros grupos, foi lançado hoje em Davos, na Suíça. “As conclusões do IRP mostram um declínio acentuado nos ecossistemas terrestres nas últimas décadas. Florestas e outros biomas foram convertidos em terras para cultivo a um custo que não é sustentável. Como a terra é um recurso limitado, precisamos nos tornar mais eficientes na forma de produzir e consumir. As recomendações do relatório devem alertar líderes e contribuir para as discussões sobre o uso sustentável de recursos, incluindo novas metas para o desenvolvimento sustentável pós-2015”, afirma o Subsecretário Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner.

O estudo reforça a necessidade de equilibrar o consumo com a produção sustentável. O crescimento da renda e da urbanização está alterando a maneira das pessoas consumirem alimentos, e há poucas políticas públicas voltadas para hábitos responsáveis de consumo.

Ao mesmo tempo, a população em expansão e em migração para cidades leva a uma projeção de que, em 2050, 5% das terras do mundo – cerca de 15 bilhões de hectares – serão ocupados por cidades. No atual ritmo, as terras cultiváveis deverão ocupar de 120 a 500 milhões de hectares na mesma projeção.

Recomendações

O PNUMA afirma que até 319 milhões de hectares podem ser preservados até 2050, se algumas medidas foram seguidas. Elas incluem:

· Investimento na recuperação de solos degradados;

· Melhoria nas técnicas de manejo e planejamento do uso da terra para minimizar a expansão;

· Intensificar as práticas de proteção ambiental na agricultura, de uma maneira ecológica e socialmente aceitável;

· Monitorar o uso global da terra e o consumo de produtos da agricultura para permitir comparações e gerar subsídios para políticas setoriais;

· Reduzir a perda e o desperdício de alimentos;

· Reduzir subsídios para plantações para produção de combustíveis.

Outras conclusões do relatório

· Mais da metade de todos os fertilizantes sintéticos de nitrogênio produzidos na história foram usados nos últimos 25 anos;

· Em 2005, as dez maiores corporações de agricultura e sementes controlavam metade das vendas de sementes, as cinco maiores companhias de comércio de grãos ocupavam 75% do mercado, e os dez maiores produtores de pesticidas forneciam 84% dos produtos do setor;

· O comércio internacional de bens da agricultura cresceu dez vezes desde os anos 1960;

· Neste período, foi criado um mercado global do agronegócio, caracterizado pela alta concentração, um rápido crescimento da parcela de cadeias de supermercado, e um mercado crescente de fertilizantes e pesticidas;

· O preço global dos alimentos mantém-se abaixo do pico durante a crise de 2008, mas mais caro que antes da crise na maior parte dos países em desenvolvimento.

(Pnuma)

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