Incentivo à Eficiência Energética pode recolocar Brasil na rota de crescimento

“Mais do que associar o termo ao racionamento de energia, a Eficiência Energética precisa ser encarada como política de competitividade, complementariedade e aumento da segurança no sistema elétrico”. A afirmação é de Adriano Pires, defensor da ampla exploração das matrizes energéticas brasileiras. Ele debaterá o tema no 11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética, que acontece neste mês, em São Paulo

Poucos anos depois de se destacar com programas de eficiência energética como o Procel e o Plano das Distribuidoras de Energia, o Brasil perde a liderança e as iniciativas do setor passam a ser lembradas mais pelo socorro ao sistema elétrico do que como medida de prosperidade econômica. Essa postura do governo é alvo de críticas de especialistas como Adriano Pires, diretor do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBIE) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que fará a palestra magna no 11º COBEE – Congresso Brasileiro de Eficiência Energética e ExpoEficiência 2014, uma iniciativa da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO), que acontece dias 21 e 22 de julho, no Centro de Exposições Frei Caneca, em São Paulo (SP). Sob o tema “O Cenário Energético Brasileiro – Para onde vamos?”, a palestra será o marco inicial das discussões que estarão em pauta ao longo do dia.

Pires tem combatido o fato de que a eficiência energética tem sido relegada ao agravamento da crise de energia e questiona a falta de interesse do governo por incentivar a exploração de outras fontes além da hidrelétrica: “A alocação adequada de outras fontes energéticas seria positiva em todas as esferas. Do ponto de vista conjuntural, o sistema elétrico nacional ampliaria as possibilidades de geração, tornando o abastecimento mais confiável e seguro.”

No entendimento do professor, como política de desenvolvimento “a intensificação do incentivo às demais fontes energéticas representaria uma mudança no viés imediatista do governo atual para a prioridade ao planejamento de longo prazo. Consequentemente, o governo reduziria os obstáculos futuros, traria confiabilidade às medidas e propostas implantadas no setor e devolveria ao país segurança institucional e regulatória, recuperando a imagem como destino seguro de investimentos.”

Adriano é veemente ao defender a larga vantagem da eficiência energética em comparação com às fontes primárias de insumos energéticos do país, que perde muito com o incentivo inadequado à diversificação da matriz. Para ele, o equívoco na questão dos incentivos está claro na conjuntura atual do setor elétrico, já que é evidente que, independentemente das adversidades climáticas conjunturais, o acionamento das térmicas está cada vez mais frequente, por conta da mudança do perfil estrutural da geração, com o aumento da participação de usinas hidroelétricas a fio d’água e de geração por outras fontes sazonais e intermitentes, como a eólica, a biomassa e a solar. Diante desse quadro, ele sentencia: “O sistema de incentivos equivocado do modelo regulatório do setor elétrico brasileiro já mostra que o resultado é um sistema caro, não necessariamente mais limpo, e incapaz de garantir a segurança no fornecimento”.

Pela visão do especialista, vários fatores devem ser levados em conta ao se falar do prejuízo ao crescimento do país por desprezar programas consistentes de eficiência energética: “A falta de planejamento de longo prazo, pouco incentivo e as adversidades climáticas estão ampliando as perdas no setor elétrico, haja vista o aumento da divulgação de medidas imediatistas e da necessidade de aportes do Tesouro Nacional a agentes do setor. Tudo isso, é reflexo de uma soma de fatores que se agravaram com a Lei nº 12.783/2013 e resultam na “exposição involuntária” das distribuidoras de energia elétrica e nos gastos relacionados ao forte acionamento de usinas termoelétricas, por conta do baixo nível dos reservatórios das hidroelétricas”.

Para Rodrigo Aguiar, presidente da ABESCO, o cenário apontado por Pires se consolida ao mesmo tempo em que as ESCOs (empresas de serviço de conservação de energia, registradas e certificadas pelo QualiEsco, da ABESCO) se organizam e demonstram a viabilidade de ampliação de novos programas, enfrentando a resistência em apoiar efetivamente as ações como alternativa de retomada do crescimento do país. “Ainda que a MPME Inovadora (linha de crédito diferenciada pelo BNDES), tenha sido recentemente conquistada com fundamental interferência da ABESCO, essa é apenas uma das formas de incentivar medidas de eficiência energética”.

Serviço

11º Congresso Brasileiro de Eficiência Energética (COBEE) e ExpoEficiência
21 e 22 de julho de 2014
8h30 às 18h – Centro de Convenções Frei Caneca – São Paulo

Representantes das empresas, profissionais e outros interessados em investir neste setor poderão participar de palestras, debates e conhecer novas tecnologias, produtos e serviços. A feira destinará uma área para o COBEE Experience, espaço dedicado à apresentação de inovações tecnológicas promovidas pelas empresas participantes da ExpoEficiência, com o objetivo de oferecer ao público a chance de vivenciar a aplicação de soluções em Eficiência Energética nas atividades relacionadas ao seu dia a dia.

 

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