19 de novembro de 2017

Debate na internet busca soluções para a violência contra jovens negros

Debate tenta achar uma solução para reduzir a violência contra negros no Brasil (José Cruz/Agência Brasil)
Debate tenta achar uma solução para reduzir a violência contra negros no Brasil (José Cruz/Agência Brasil)

Debate na internet examina até quarta-feira (8) propostas para salvar vidas de crianças e adolescentes negros.  Segundo o mais  recente relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, de 2012, o Brasil fica em sexto lugar entre os países que registram grande número de vítimas de homicídios envolvendo jovens (negros, em maioria) com até 19 anos.

As discussões online serão feitas entre pessoas que se cadastrarem gratuitamente no fórum Juventude e Violência, no site www.mobilizadores.org.br. De acordo com a coordenadora-geral da Rede Mobilizadores, Gleyse Peiter, pensar solução em defesa da vida é o objetivo do fórum. “Se a gente continuar em um ritmo continuado de extermínio da população jovem, principalmente de negros,  teremos diminuída essa camada na população”, frisou.

Gleyse lembra que o Mapa da Violência 2014, mostrou que a vitimização de negros é bem maior que a de brancos. Segundo o estudo, morreram proporcionalmente 146,5% mais negros do que brancos no Brasil em 2012, em situações como homicídios, acidentes de trânsito ou suicídio.

O autor do mapa, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso),  disse que pessoas brancas morrem menos de homicídio porque vivem em áreas mais beneficiadas por políticas de segurança e têm mais acesso à segurança privada. “Assim, os negros são excluídos duplamente – pelo Estado e em razão do seu baixo poder aquisitivo”, diz o texto.

Em agosto, parentes de jovens mortos nas comunidades do Rio fizeram manifestação em Manguinhos, na zona norte.  Lá, o estudante negro Paulo Ricardo Pinho de Menezes, 17 anos,  irmão do Paulo Roberto, morto em 17 de outubro do ano passado, disse que há indignação com os abusos cometidos pelas forças de segurança nas comunidades.

“Assim não dá para ficar, quase todo mês morre um. E só jovem que não tem nada [que] ver, eu mesmo quase fui morto com o Jonathan, os policiais começaram a dar tiro no meio da rua”, contou.

Jonathan de Oliveira de Lima foi morto em 14 de maio, em confronto com a polícia após uma manifestação, também em Manguinhos. A mãe dele, Ana Paula Gomes de Oliveira, lembra que quando o papa Francisco visitou a comunidade, no dia 25 de julho do ano passado, os moradores estenderam uma faixa com fotos de jovens mortos nas comunidades.

“O objetivo desse evento [manifestação] é dar um basta na morte de tantos jovens negros nas comunidades”, disse a mãe do jovem, à época.

Cerca de 38 mil pessoas estão cadastradas para participar da discussão no fórum Juventude e Violência. No site, está disponível o Mapa da Violência 2014.

(Isabela Vieira – Agência Brasil)

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