Brasil e China lançam satélite no domingo para monitorar desmatamento na Amazônia

ecobrasiliaLançamento está previsto para ocorrer direto de base chinesa à 1h26, horário de Brasília; imagens obtidas permitirão analisar queimadas, desflorestamento e fomentar modernização do parque industrial brasileiro

O satélite sino-brasileiro Cbers-4 será lançado neste domingo (7) da base de Taiyuan, na China. O veículo lançador Longa Marcha-4B será acionado a 1h30, horário de Brasília (DF). Em órbita, o Cbers-4 fará a varredura de imagens do Brasil, China e países da América do Sul, mas também poderá fazer registros de outras regiões do planeta. Entre suas principais atribuições está o monitoramento do desmatamento na Amazônia. O áudio do lançamento será transmitido ao vivo.

O evento será acompanhado pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina Diniz, pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTI), José Raimundo Braga Coelho, pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe/MCTI), Leonel Perondi, e outras autoridades brasileiras.

Inicialmente programado para dezembro de 2015, o lançamento deste domingo foi antecipado em um ano devido à falha ocorrida com o foguete chinês Longa Marcha-4, que causou a perda do CBers-3, em dezembro de 2013. Antes, foram lançados com sucesso o CBers-1 (1999), o CBers-2 (2003) e o CBers-2B (2007).

Este aparelho tem as mesmas especificações técnicas que o Cbers-3. Serão quatro câmeras de videomonitoramento em resolução melhor do que as instaladas em modelos anteriores. Ao todo, o equipamento pesa mais de duas toneladas e tem vida útil programada para quatro anos.

As equipes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Academia Chinesa de Tecnologia Espacial (Cast, na sigla em inglês) trabalharam em conjunto neste projeto.

Programa CBers

Iniciado nos anos 1980, o programa CBers (sigla em inglês para China-Brazil Earth Resources Satellite) é coordenado pela AEB e desenvolvido pelo Inpe. O CBers-4 é o quinto satélite do programa de cooperação em alta tecnologia e um dos pilares da parceria estratégica entre o Brasil e a China.

A antecipação significou um desafio a mais para as equipes de especialistas dos dois países na preparação do CBers-4 em conformidade com as rígidas especificações técnicas de um projeto espacial desse porte.

As atividades iniciaram em janeiro com o envio para a China da estrutura de carga útil do satélite, que antes estava no Laboratório de Integração e Testes (LIT) do Inpe, em São José dos Campos (SP).

Além dos processos de montagem e integração, a impossibilidade de conserto em órbita tornam imprescindíveis os rigorosos testes para simular em Terra todas as condições que o satélite enfrentará desde o seu lançamento até o fim de sua vida útil no espaço.

Aplicações

Satélites de sensoriamento remoto são uma poderosa ferramenta para monitorar o território de países de extensão continental, como o Brasil e a China. As imagens obtidas a partir dos satélites da série CBers permitem uma vasta gama de aplicações – desde mapas de queimadas e monitoramento do desflorestamento da Amazônia, da expansão agrícola, até estudos na área de desenvolvimento urbano.

O CBers também é importante indutor da inovação no parque industrial brasileiro, que se qualifica e moderniza para atender aos desafios do programa espacial. A política industrial adotada para o programa permite a qualificação de fornecedores e contratação de serviços, partes, equipamentos e subsistemas junto a empresas nacionais. Assim, além de exemplo de cooperação binacional em alta tecnologia, o CBers se traduz na criação de empregos especializados e crescimento econômico.

Graças à política de acesso livre às imagens, uma iniciativa pioneira do Inpe, as imagens do CBers são distribuídas gratuitamente a qualquer usuário pela internet, o que contribuiu para a popularização do sensoriamento remoto e para o crescimento do mercado de geoinformação nacional.

O Inpe distribui cerca de 700 imagens por dia para centenas de instituições (mais de 70 mil usuários) ligadas a meio ambiente, uma contribuição efetiva ao desejado cenário de responsabilidade ambiental – um dos grandes desafios deste século.

Inovações

O satélite está equipado com sofisticado conjunto de câmeras, com desempenhos geométricos e radiométricos melhorados em relação aos CBers-1, 2 e 2B. São quatro câmeras: Imageador de Amplo Campo de Visada (WFI), Imageador de Média Resolução (MUX), Imageador Infravermelho (IRS) e Imageador de Alta Resolução (PAN).

A MUX é a primeira câmera para satélite inteiramente desenvolvida e produzida no Brasil. Com 20 metros de resolução e multiespectral, registra imagens em azul, verde, vermelho e infravermelho, em faixas distintas. Essas bandas espectrais têm funções bem calibradas visando seu uso em diferentes aplicações, principalmente no controle de recursos hídricos e florestais.

Projeto espacial dos mais sofisticados realizados no país, a MUX exigiu análises minuciosas e rigorosas, pois a câmera precisa suportar o tempo de vida necessário no ambiente hostil do espaço.

Veículo lançador

O foguete chinês Longa Marcha-4B, que colocará o Cbers-4 em órbita é fabricado pela Academia Shanghai de Tecnologia de Voos Espaciais (Sast). O veículo teve seu projeto totalmente revisado após a falha no motor do terceiro estágio ocorrida em dezembro de 2013 e que acarretou na perda do Cbers-3. Este ano o foguete já foi usado para o lançamento de quatro satélites da China e de outros países a partir de agosto último, todos com sucesso. Até hoje a família Longa Marcha foi empregada em 197 missões.

Veja como será a operação do Cbers-4:

Imagens e informações sobre o satélite, suas câmeras e aplicações, bem como os antecedentes da cooperação com a China, estão disponíveis no site feito para o lançamento.

 (Portal Brasil)

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