19 de novembro de 2017

“Frentes do desmatamento” exigem compromissos ambiciosos e integrados para evitar a destruição da Amazônia

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(Foto: WWF-Brasil/Bruno Taitson)

Um estudo inédito, coordenado pela Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF, identificou 25 “frentes de desmatamento” existentes por toda a Amazônia sulamericana – são os lugares por onde o desmatamento tem início e que funcionam como “portas de entrada” e vetores de outros problemas socioambientais dentro deste bioma.

O estudo, que reúne dados de todos os nove países que compõem a Bacia Amazônia, foi apresentado nos últimos dias como parte da programação oficial da vigésima Conferência das Partes – COP-20, que ocorreu até ontem em Lima, no Peru.

É possível saber mais sobre este estudo por meio de seu sumário executivo, que está disponível em inglês aqui.

Se levarmos em consideração a importância climática mundial da Floresta Amazônica para a redução ou a prevenção das emissões de carbono, bem como o papel vital da região na agenda de segurança dos países, os processos de desmatamento e de degradação dos ecossistemas precisam de políticas nacionais mais efetivas e com maior integração regional.

Região complexa
O bioma Amazônia compreende 6.7 milhões de quilômetros quadrados, que são compartilhados por nove (9) países: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa). Mais de 34 milhões de pessoas vivem no bioma Amazônia, inclusive 385 grupos indígenas, dos quais 60 permanecem em isolamento voluntário.

Clique na imagem para fazer download do sumário executivo (em inglês)
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Cláudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF, explicou que a Amazônia é uma região natural complexa, ecológica e culturalmente diversa, e que tem uma importância enorme pelos serviços ambientais proporcionados por seus ecossistemas. Embora a conservação ambiental da Amazônia ainda esteja em condições relativamente boas, a região sofre cada vez mais a pressão da degradação.

“O que acontece numa parte da Amazônia afeta as demais partes. O desmatamento da Amazônia, portanto, não é mais uma questão a ser enfrentada isoladamente por cada país. Muitas das causas desse desmatamento são relacionados a questões globais. Impactos que parecem ser locais refletem-se em outras partes do bioma. Muitas vezes, o reflexo se estende muito além das fronteiras e afeta os serviços ambientais fornecidos pelo bioma para o mundo todo, tais como o movimento do ar úmido em direção ao leste e ao sul, o que se traduz em chuvas em outras áreas do continente”, observo u Maretti.

Redução insuficiente
A redução verificada em anos recentes nas taxas de desmatamento do Brasil é importante mas não é suficiente para livrar o bioma Amazônia da ameaça da perda florestal e de suas consequências. No período de 2001 a 2012, a região perdeu 17.7 milhões de hectares devido ao desmatamento; e o Brasil é o país com o nível mais elevado de perda florestal acumulada na região, além de ser um dos países mais desmatados do planeta. O Brasil, a Bolívia e o Peru, juntos, respondem por 90% de todo o desmatamento da Amazônia ocorrido em 12 anos.

“Mesmo se o Brasil conseguisse reduzir seu desmatamento, isso não seria suficiente. Os índices têm aumentado nos países dos Andino-Amazônicos. Além disso, a Amazônia enfrenta um aumento de ameaças dispersas provocadas por represas, mineração, exploração petrolífera etc. Todos os países amazônicos precisam melhorar suas estratégias para combater o desmatamento e isso têm que ser feito de forma integrada uns com os outros”, explicou Mare tti.

Ameaças e soluções

As principais ameaças contra a Amazônia derivam dos crescentes interesses políticos e econômicos e de uma visão de prazo muito curto sobre como deve ser o uso da terra e das riquezas naturais da Amazônia. As ameaças variam de um país a outro e até mesmo dentro de um único país; no entanto, elas podem ser englobadas principalmente pela especulação e grilagem ilegal da terra, a agricultura mecanizada em grande escala, a pecuária extensiva, a infraestrutura de transportes e, em menor grau, pela agricultura de menor escala para subsistência. Mais importante do que separar as causas é entender a relação geográfica e econômica entre elas e os efeitos multiplicadores de sua combinação.

Uma das recomendações feitas pela Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF é de que os governos da Amazônia e os de outras regiões devem rever os mecanismos de incentivos e evitar os estímulos perversos atuais que promovem atividades que provocam o desmatamento ou estão relacionadas com isso. Por outro lado, é preciso promover incentivos econômicos em prol de investimentos em atividades produtivas mais sustentáveis.

(WWF-Brasil)

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