Pesquisadores do Inpa criam viga sustentável de madeira e concreto para construção de pontes e lajes

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Segundo o pesquisador, a viga já vem com o seu forro de madeira pronto, o que garante um ambiente com um clima mais ameno, significando menor gasto com ar-condicionado, gerando economia em energia para o consumidor (Foto: Luciete Pedrosa)

por Luciete Pedrosa /Ascom Inpa

Com a intenção de trabalhar com a construção sustentável, tendo como base os princípios de satisfazer a economia, ser socialmente justa e adequada ao ambiente construído, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Ruy Alexandre de Sá Ribeiro, juntamente com a arquiteta e pesquisadora Marilene Gomes de Sá Ribeiro, desenvolveram uma viga (segmento de laje) ou plataforma composta de madeira e concreto que pode atender uma grande demanda de uso, como a construção de pontes e lajes comerciais e residenciais na Amazônia brasileira.

A ideia do pesquisador, iniciada há 14 anos, quando estudava o pós-doutorado em Design e Construção de Estruturas de Engenharia de Madeira Tropical para Grandes Vãos, foi inventar uma viga ou laje compósita de madeira-concreto compatível com os custos convencionais de lajes pré-moldadas existentes no mercado.  A invenção faz parte dos seis pedidos de depósito de patente que o Inpa registrou, no final de 2014, junto ao Instituto Nacional de Proteção Industrial (INPI).

De acordo com o pesquisador, a viga utiliza qualquer tipo de madeira, até mesmo aquelas de baixa qualidade, e é capaz de atender aos interesses tanto de empresas de engenharias e construção, como os de construções domésticas. “Este experimento usou madeira de refugo de média e alta densidade, proveniente da região Amazônica, e sobras de aço de construção”, explica Sá Ribeiro, que é doutor em Ciências da Engenharia de Madeira da Floresta.

O pesquisador explica que o preço da madeira serrada, no Brasil, é três vezes maior do que o do concreto. Para ser competitivo no mercado brasileiro é preciso um “deck” composto com um mínimo de madeira e um detalhe de conexão simples e de baixo custo.

Ele explica que cada material tem a sua característica de propriedade de resistência intrínseca. O concreto resiste muito bem à compressão, e a madeira resiste bem à tração e à flexão. “Com isso resolvemos criar um material híbrido, onde a madeira atua embaixo, na parte de tração, e o concreto, em cima do “deck” de madeira, atua na compressão”, revela o pesquisador.

Para ele, o invento dessa viga compósita utiliza as melhores classes de resistência mecânica dos materiais que a constituem. Ele ressalta, no entanto, que isso é um fator de equilíbrio ao utilizar a madeira de forma racional e diminuindo, até pela metade, a quantidade de concreto, que é um material altamente poluidor da construção civil. “Assim, temos uma viga compósita de madeira-concreto que opera muito bem em substituição a uma viga de concreto”, enfatiza Sá Ribeiro.

Lista de oferta

O Inpa dispõe de uma lista de oferta tecnológica que está à disposição do empresariado interessado em produzi-las industrialmente. “Temos um portfólio de tecnologias disponíveis para as empresas desenvolverem e explorarem comercialmente”, ressalta Rosangela Bentes, coordenadora de Extensão de Tecnologia e Inovação (Ceti).

De acordo com ela, o empreendedor interessado em ter acesso a essa tecnologia para desenvolvimento e comercialização, pode entrar em contato com a Ceti pelo telefone (92) 9-9146-6604 ou ainda pelo e-mail robentes@inpa.gov.br para as tratativas de apresentação da tecnologia e negociação para licença de exploração, ou seja, para a transferência de tecnologia.

Vantagens

De acordo com o pesquisador, uma das características essenciais desse sistema de viga ou laje compósita de madeira-concreto é que a madeira tem qualidades termo acústicas excelentes. “Com isso teremos uma viga ou uma laje livre de ruídos, porque a madeira tem qualidade de isolamento acústico que estão de acordo com a normatização brasileira da construção civil para que seja diminuído o efeito dos ruídos nos prédios residenciais e comerciais”, explica Sá Ribeiro.

Para o pesquisador, as vantagens que a viga de madeira-concreto oferece são inúmeras, tanto para o setor da construção civil, quanto para o consumidor. Uma dessas economias será na parte do acabamento, já que a parte de baixo da viga compósita, que é de madeira, também pode servir como forro. “Ao invés de gastar adquirindo forro, a viga já vem com o seu forro de madeira pronto, restando apenas envernizar ou passar um selador. Com isso teremos um ambiente com um clima mais ameno e, também, gastaremos menos com ar-condicionado, gerando economia em energia”, ressalta o pesquisador.

O pesquisador também ressalta que na fase de fabricação da viga, como ela é pré-moldada, a laje também será nas mesmas características e não necessitará de forma, porque o “deck” de madeira funciona como uma forma perdida. “Então, é menos custo com forma e escoramento que o construtor precisaria fazer”.

Além dessas vantagens, a laje é entregue pronta com a parte de cima já concretada, desempenada e alisada. “O consumidor pode usar o piso de concreto do jeito como foi preparado. É só dar uma impermeabilizada, aplicando uma resina ou, então, adicionar qualquer revestimento do tipo vinílico ou cerâmico ou mesmo um carpete de madeira”, conclui o pesquisador.

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