15 de novembro de 2017

Mortandade de peixes provocada por crise hídrica preocupa biólogos

A crise no abastecimento de água em São Paulo é um problema anunciado há muito tempo. No entanto, de um ano para cá, quando os primeiros sinais começaram a surgir (especialmente a alarmante queda do nível de água dos principais reservatórios, como o Cantareira) é que o problema passou a chamar mais a atenção. Porém, durante esse período, enquanto especialistas em saneamento e autoridades discutem a necessidade de haver rodízio no abastecimento e eventuais meios de punir e coibir o desperdício de água por parte da população, antes de se chegar a total escassez, outro sério problema vem se repetindo por várias cidades do país e pouco, ou quase nada, tem sido feito para resolvê-lo: a mortandade de peixes provocada pela seca ou contaminação de lagoas, rios, açudes ou mananciais.

Um dos lugares atingidos pela falta de chuva, a Lagoa Maravilha, em Serrana, na região de Ribeirão Preto, secou no mês de setembro e milhares de peixes morreram sobre a terra. Entre tantos outros casos, também no interior do Estado paulista, a estiagem fez com que o índice de poluição do Rio Piracicaba aumentasse em até cinco vezes acima do aceitável e quase uma tonelada de peixes morreu, no final do ano passado. “Embora o nível dos principais reservatórios tenha se elevado no mês de fevereiro e até se mantido estável nos últimos dias, o cenário ainda é muito ruim e preocupante. A crise deve se agravar com a falta de chuvas e com isso a queda progressiva dos níveis de água dos principais reservatórios pode provocar um desastre ambiental sem precedentes”, alerta Luiz Eloy Pereira, presidente do Conselho Regional de Biologia de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (CRBio-01).

O biólogo explica que a principal causa da mortandade dos peixes nos rios que estão secando é a consequente falta de oxigênio na água. “Quando o volume diminui, a capacidade de diluição dos poluentes na água dos rios e reservatórios cai drasticamente, fazendo com que a concentração de oxigênio dissolvido na água também diminua. Quando a quantidade de oxigênio dissolvida na água chega a 2mg/l é já extremamente preocupante. Em alguns casos recentes, verificou-se que essa quantidade chegou a apenas 0,3 mg/l”, conta o presidente do CRBio-01. “O aumento do volume pluviométrico está entre uma das soluções esperadas para ajudar a diminuir este problema. Mas, se para combater o desperdício de água tem se pensado tanto em outras soluções a se tomar, é necessário que também se criem medidas urgentes e verdadeiramente eficazes de combate à poluição e à preservação das nossas reservas hídricas”, conclui Pereira.

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