País cria índice de vulnerabilidade às mudanças climáticas

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Klink: análise das políticas públicas (Lucas Tolentino/MMA)

Especialistas discutem, em Brasília, como serão medidos os riscos que os moradores de várias regiões estão expostos

Os riscos gerados pelo aquecimento global às populações de várias partes do país serão medidos pelo governo federal. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizaram, na quarta-feira (25), em Brasília, seminário para finalizar a construção dos Indicadores Subnacionais de Vulnerabilidade da População à Mudança do Clima no Brasil. O índice avaliará os impactos do agravamento do efeito estufa de acordo com recortes regionais.

A medida contribuirá para o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima (Plano Adaptação), que está em fase de elaboração sob a coordenação do MMA. Os indicadores levarão em conta aspectos particulares de cada região do país. Entre eles estão a conservação ambiental, os dados demográficos e de desenvolvimento humano e a suscetibilidade a fenômenos extremos como tempestades e secas e a doenças associadas ao clima como a dengue e a malária.

SENSIBILIDADE

Os indicadores considerarão, ainda, a exposição, a sensibilidade e a capacidade adaptativa em escala municipal. A intenção é que o sistema seja implantado, inicialmente, em Pernambuco, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Amazonas, Paraná e Maranhão. “O projeto dialoga com a prioridade de analisar a desempenho das políticas públicas e de gerar respostas”, destacou o secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do MMA, Carlos Klink.

Ações adaptativas estão entre as prioridades no enfrentamento às mudanças climáticas, na opinião do pesquisador Ulisses Confalonieri, da Fiocruz. “A mitigação é importante e já está bem consolidada nas políticas públicas do Brasil”, disse. “É preciso criar, também, uma cultura de adaptação dentro desse processo.” A adaptação busca reduzir a vulnerabilidade das populações e territórios.?

Os diversos temas considerados pelos indicadores serão resumidos e agregadas em um único número. De acordo com o especialista da Fiocruz, o objetivo inicial será definir como essas informações poderão ser usadas pelo Estado. “O ideal é que seja criada uma ferramenta prática e, para que as políticas públicas sejam beneficiadas, é preciso quantificar e comparar as informações colhidas”, ressaltou.

SAIBA MAIS

Ações de adaptação se referem a iniciativas e medidas capazes de reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais e humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima. Ou seja, é uma forma de resposta para lidar com possíveis impactos e explorar eventuais oportunidades. A elaboração de uma estratégia de adaptação envolve, entre outras coisas, a identificação da exposição a esses impactos com base em projeções e cenários climáticos.

A proposta de sistema de indicadores em elaboração é um avanço conceitual de sistema desenvolvido para o estado do Rio de Janeiro em 2011. Desde então, vem sendo aperfeiçoado e está em aplicação nos estados da Bahia e de Minas Gerais. No seminário, integrantes de órgãos públicos e de institutos de pesquisa avaliam de maneira crítica a proposta. Os resultados do encontro subsidiarão a elaboração do Plano Adaptação.

(Lucas Tolentino / MMA)

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