26 de setembro de 2016

WWF lança relatório sobre estado dos ecossistemas de água doce da Amazônia

brasília sustentabilidade
© WWF-Brasil / Adriano Gambarini

Publicação será lançada hoje (13), em evento paralelo do VII Fórum Mundial de Água, na Coreia do Sul 

Os ecossistemas de água doce na Amazônia estão ameaçados pelo desmatamento e, em especial, pela interrupção da conectividade.  Estão planejadas mais de 250 novas represas de usinas hidrelétricas nessa região. Se todas elas se concretizarem, apenas três rios afluentes do Rio Amazonas manterão seu fluxo livre.  Isso compromete todo o sistema fluvial, bem como o fornecimento dos serviços ambientais para a sociedade e a economia daquela região, dos países da América do Sul e do mundo todo.

A Amazônia é uma das regiões naturais mais importantes do planeta e é conhecida principalmente por suas florestas e o volume imenso desmatado a cada ano.  A Amazônia é, também, o maior sistema fluvial do mundo com mais de 100 mil quilômetros de rios, riachos, igapós, várzeas e outros tipos de áreas alagáveis.

Para discutir a riqueza dos ecossistemas de água doce da Amazônia, as causas das alterações hidrológicas e a necessidade de se assegurar um desenvolvimento sustentável para a região, a Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF (LAI, na sigla em inglês para Living Amazon Initiative) lança o relatório intitulado State of the Amazon: Freshwater Connectivity and Ecosystem Health (O Estado da Amazônia: Conectividade e Saúde dos Ecossistemas de Água Doce. O lançamento acontece nesta segunda-feira (13), durante evento paralelo do VII Fórum Mundial de Água, que se realiza na cidade de Gyeongju, na Coreia do Sul.  O evento se intitula Pan-Amazônia, Desenvolvimento de Energia Hidrelétrica Sustentável e Ecossistemas Aquáticos.

> Faça o download da publicação em inglês aqui

O relatório apresenta uma avaliação completa do estado atual dos ecossistemas de água doce da Amazônia, bem como destaca a importância da conectividade hidrológica e das interações entre terra e água para a manutenção das funções ecológicas que dão sustentação à segurança hídrica, alimentar e energética.  O relatório avalia, ainda, as políticas públicas e destaca a importância de um planejamento no âmbito pan-amazônico para a manutenção da estabilidade ecológica da região.

No evento paralelo do VII Fórum Mundial da Água, um painel de especialistas será moderado por Yolanda Kakabadse, presidente do Conselho da Rede WWF. Leandro Castello apresentará os principais destaques do relatório.  Biólogo conservacionista e professor assistente no Instituto Politécnico da Virginia e na Universidade Estadual da Virgínia (nos Estados Unidos), Leandro compartilha a autoria da síntese científica com a ecologista de ecossistemas Marcia Macedo, cientista assistente do centro de pesquisas Woods Hole Research Center (WHRC). Flavia Loures, pesquisadora de Legislação Hídrica Internacional da China (CIWL), irá discutir o marco jurídico para a proteção dos ecossistemas de água doce da Amazônia. Claudio C Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva, apresentará as abordagens integradas da Rede WWF em prol de um desenvolvimento hidrelétrico mais sustentável na Pan-Amazônia, bem como estudos de caso.

“A eletricidade pode ser importante para o desenvolvimento sustentável da região.  A energia hidrelétrica não é uma energia limpa, mas ela é melhor do que a energia proveniente de combustíveis fósseis e do que a energia nuclear.  Mesmo assim, o planejamento e o desenvolvimento hidrelétrico precisam levar em conta que abordagens integradas são viáveis na Amazônia.  O principal objetivo da Rede WWF é a promoção de um debate com as partes interessadas consideradas chaves, para discutir a necessidade de uma abordagem regional Pan-Amazônica integrada que contemple o planejamento da geração de energia hidrelétrica e, ao mesmo tempo, assegure a integridade dos ecossistemas, evitando sua fragmentação e mantendo os serviços ambientais da Amazônia, com a salvaguarda dos direitos das populações indígenas e comunidades locais”, explica Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF. 

Exemplos concretos

As ameaças à conectividade dos ecossistemas de água doce da Amazônia ocorrem em múltiplas escalas, da mesma forma que os esforços para reduzir seus impactos e para conservar os recursos hídricos.   A Bacia do Rio Tapajós será apresentada como um exemplo concreto das metodologias e instrumentos de avaliação dos impactos ecológicos e sociais acumulados das represas, e sua infraestrutura associada, sobre a bacia fluvial como um todo.

A Bacia do Rio Tapajós está localizada na Amazônia brasileira, no arco do desmatamento, e se estende por uma área de quase 500 mil km2 nos estados de Mato Grosso, Pará, Amazonas e numa pequena parte de Rondônia.   No total, foram avaliadas 44 usinas hidrelétricas de tamanho médio e grande nos rios Tapajós, Jamanxim, Juruena e Teles Pires, e seus tributários, sendo que oito delas estão programadas para entrar em operação até 2023.  A maior parte das usinas planejadas ou avaliadas afetam, de alguma forma, unidades de conservação ou terras indígenas, seja por meio da inundação dos ecossistemas que estão dentro das terras protegidas ou pela modificação do fluxo do rio devido à construção de represas rio acima das áreas sob proteção.

 

Fatos e números da Amazônia:

Biodiversidade:  a região da Amazônia é a número 1 em termos de biodiversidade no planeta, sendo que nos últimos 14 anos, uma nova espécie foi cientificamente apresentada a cada 3 dias.  Isso sem contar insetos e micro-organismos.  E há muito mais para descobrir.  

Biodiversidade da água doce:  a conectividade da água doce é particularmente importante para os recursos pesqueiros e para a segurança alimentar em nível regional, já que muitas espécies de peixes que têm importância econômica e ecológica dependem das migrações laterais ou longitudinais em algumas partes de seus ciclos vitais.  Os bagres que migram por longas distâncias, por exemplo, viajam milhares de quilômetros desde o estuário da Amazônia até as cabeceiras dos rios de água branca (barrenta) e deixam suas ovas nos contrafortes dos Andes.

 

Bacia Amazônica: a bacia hidrográfica Amazônica se estende por 6.9 milhões de quilômetros quadrados.  A conexão hidrológica ajuda a manter mais de 1 milhão de km2 de ecossistemas de água doce, que sustentam uma rica biodiversidade e uma pesca produtiva, fonte vital de proteína e de renda para a população da Amazônia.  O sistema do Rio Amazonas é o cerne vital da economia regional.

 

Rio Amazonas: o Rio Amazonas é o maior rio do mundo em volume de água e seu curso se estende por 6.992 km.  Em sua foz, o rio Amazonas deságua cerca de 6.700 km3 de água doce por ano no Oceano Atlântico, o que representa cerca de 20% de todo o fluxo mundial de água fluvial de superfície.

 

Desmatamento: quase 20% do Bioma Amazônia já foram desmatados.

(com informações da WWF)

Compartilhe!

Veja mais notícias