13 de dezembro de 2017

Os Sem-Floresta: Descontrole ambiental tem provocado a fuga de animais silvestres às cidades

sustentabilidade brasília
(Divulgação ICMBio)

São Paulo/SP – Uma onça parda foi capturada, dia 11, no quintal de uma casa em Marília, cidade de São Paulo. No início deste ano, uma família formada por 11 marrecos (9 deles eram filhotes) foi flagrada passeando por movimentadas avenidas de Cuiabá, no Mato Grosso. Na capital paulista, há muitos anos, capivaras habitam as margens dos rios nas Marginais Pinheiros e Tietê. Exemplos de espécies animais vivendo completamente fora do seu ambiente natural estão, infelizmente, se tornando cada vez mais comuns nas grandes metrópoles do país.

“A principal causa da invasão de bichos silvestres em centros urbanos é a diminuição das florestas naturais. Em busca de alimentos, muitos acabam indo para além de seu habitat natural, chegam às áreas urbanas e acabam se perdendo, sem conseguir voltar. Outro problema frequente são as queimadas, que acabam afugentando muitos bichos das matas. Por instinto de sobrevivência, fogem para onde podem”, diz Eliézer José Marques, presidente do CRBio-01 – Conselho Regional de Biologia de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Mas há diversos casos também de intervenção direta do homem para essa invasão, como explica o biólogo. “Muitos bichos são tirados do seu habitat natural de maneira totalmente irresponsável. Seja para criação doméstica ou até mesmo para fins comerciais. No entanto, dependendo da espécie, não é raro perder seu controle de reprodução e, consequentemente, de ocupação. Depois de um tempo, muitos acabam sendo despejados em lugares completamente inadequados para sua segurança e sobrevivência”, afirma o presidente do CRBio-01.

Aliás, a presença desses bichos nos centros urbanos acaba gerando também medo entre a população local. Mas o biólogo explica que boa parte deles não oferece risco. “O bicho normalmente ataca o homem quando se sente ameaçado por ele. Para evitar, recomenda-se evitar o contato, manter uma certa distância”, instrui Marques. O biólogo sugere que, ao perceber a presença de um animal silvestre, se acione o corpo de bombeiros da cidade para fazer o resgate. “Assim, garante tanto a integridade do bicho quanto à das pessoas”, completa.

Sobre possível transmissão de doenças, o presidente do CRBio-01 conta que também não é comum. “O bicho raramente é o transmissor. Porém, ele pode abrigar alguns parasitas e estes é que podem transmitir alguma doença”, conclui.

Em São Paulo, a Secretaria Municipal do Verde e de Meio Ambiente tem uma divisão para atender exclusivamente às diversas espécies de animais silvestres que vivem na cidade. Muitos dos animais encaminhados a essa divisão precisam de atendimento veterinário por terem sido vítimas de acidentes como atropelamento, choques elétricos, corte por linha de pipa, entre outros. Macacos, gambás, garças, corujas, lagartos e serpentes estão entre as espécies mais comuns.

(Ex-Libris)

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