15 de novembro de 2017

BRICS e a inclusão de questões socioambientais na análise de risco do sistema financeiro

brics-sustentabilidadePaíses se uniram para criar um novo banco de desenvolvimento que deverá entrar em operação em 2016

Gland, Suíça: O relatório do WWF internacional divulgado no último dia 20, Regulamentação do Mercado Financeiro para o Desenvolvimento Sustentável nos países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), descreve como estes países estão enfrentando os desafios da sustentabilidade adaptando suas estruturas regulatórias.

“Estamos felizes com este momento global que tem ampliado o foco para a sustentabilidade e é extremamente importante que os BRICS sejam uma parte real deste cenário”, disse Deon Nel, diretor executivo para a conservação do WWF Internacional. De acordo com Nel, “iniciativas como a distribuição de Orientações de Crédito Verdes pela Comissão Reguladora Bancária da China e a resolução CMN 4.327 do Banco Central do Brasil exigindo políticas socioambientais obrigatórias para todos os bancos sob sua jurisdição, mostram que alguns países-chave do BRICS estão tomando medidas significativas”.

O relatório centra-se na avaliação de risco socioambiental, ou seja, o risco de inadimplência de créditos ou de outras questões financeiras relacionadas a eventos socioambientais. Medidas que reduzem esses riscos podem ser encaradas como alternativas para mitigar impactos socioambientais além de incentivar o investimento a longo prazo à resiliência dos sistemas ecológicos e sociais.

A análise baseia-se em mais de 40 entrevistas com tomadores de decisão de bancos centrais, públicos, privados, de desenvolvimento, associações e órgãos reguladores bancários do BRICS. De acordo com Nel, “o conceito de abordar o impacto ambiental e social da ‘economia real’ não é novo. No entanto, identificar que os tomadores de decisão em economias emergentes reconheçam cada vez mais o papel dos agentes financeiros para o meio ambiente e a sociedade é uma mudança de paradigma”, diz.

Análise do relatório
O relatório constatou múltiplas e variadas motivações para a adoção da regulamentação socioambientais. Na China, a ênfase aponta para considerações socioambientais, enquanto no Brasil o foco fica mais voltado para a gestão de risco do negócio. As diferenças entre as nações do BRICS são relativamente significativas; enquanto o Brasil e a China estão na vanguarda do desenvolvimento de regulação do mercado financeiro para enfrentar riscos socioambientais, especialmente Índia e Rússia ainda necessitam amadurecer na incorporação de sustentabilidade na agenda do setor.

“A resolução de política de responsabilidade socioambiental no Brasil certamente é um marco na história da política ambiental, que servirá de referência e inspiração para bancos centrais internacionais e que, dependendo da eficiência de sua implementação, pode ter impacto expressivo na governança do setor produtivo e sua cadeia de fornecedores e provocar maior consciência na tomada de decisão de consumidores e investidores”, comenta Karina Koloszuk, Coordenadora do Programa Finanças para Sustentabilidade do WWF Brasil.

Segundo ela, alguns bancos já possuem comitês e políticas socioambientais, de forma voluntária, mas muitas vezes consideram o risco socioambiental apenas como risco reputacional. Com a resolução do BACEN, cerca de 2000 instituições financeiras deverão avaliar seus processos e políticas internas e capacitar seus profissionais, o que provocará significativa mudança de patamar na estratégia de mitigação de risco socioambiental, assim como no fomento para novos negócios sustentáveis.

A oportunidade para o desenvolvimento sustentável fornecida pela concessão de créditos nos países integrantes do BRICS é enorme: em 2012, os seus volumes de crédito combinados excederam os US$ 13,8 trilhões, o equivalente a cerca de dois terços do volume de crédito da Europa Ocidental ou dos Estados Unidos.

O relatório considera também o potencial de introduzir regulamentações socioambientais onde eles ainda não estão presentes. Este relatório fornece um novo impulso à regulação financeira mais ambiental e socialmente conscientes.

“Nossa ambição é destacar as boas iniciativas dos órgãos reguladores na inclusão de questões socioambientais na análise de concessão de crédito do setor financeiro e contribuir na articulação, subsídios à implementação e criação de espaços de troca de experiências entre os bancos centrais dos BRICS, visando acelerar o processo já iniciado e alinhar o sistema financeiro com uma economia verde e inclusiva”, explicou Karina Koloszuk.

Novo Banco de Desenvolvimento
No cenário global, os BRICS também está unindo forças para novas iniciativas multilaterais, como o recentemente estabelecido Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês de New Development Bank), anunciado no último dia 21 em Shangai, e que visa permitir mais oportunidades para buscar o financiamento sustentável em nível global.

A criação do NDB mostra os BRICS como representantes das novas economias e que se tornarão uma força importante para alavancar a ordem financeira mundial.

(WWF)

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