19 de novembro de 2017

O mundo se une no combate a crimes contra a vida selvagem

O mundo se une no combate a crimes contra a vida selvagem

Diante de um aumento sem precedentes dos crimes contra a vida selvagem – que tem como exemplo recente o assassinato de Cecil, o leão símbolo do Zimbábue – a ONU aprovou na quinta-feira (30) uma resolução histórica que obriga todos os países a aumentar seus esforços coletivos para acabar com o problema mundial de caça ilegal e combater o grande comércio ilegal de animais silvestres.
 
Iniciada pelo Gabão e pela Alemanha e apoiada por outras nações, a resolução Tackling the Illicit Trafficking in Wildlife (Combatendo o Tráfico Ilegal de Vida Selvagem, em inglês) da Assembleia Geral das Nações Unidas é um resultado de três anos de esforços diplomáticos e a primeira vez que todas as nações reconheceram a seriedade dos crimes contra a vida selvagem e a necessidade urgente de unir forças para combatê-los.
 
“A resolução da ONU marca uma nova fase no combate a crimes contra a vida selvagem, que estão colocando inúmeras espécies em risco de extinção e ameaçando a segurança nacional e o desenvolvimento sustentável”, disse Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional. “Esta resolução histórica prova que acabar com crimes contra a vida selvagem já não é apenas uma questão ambiental ou limitada a alguns países: tornou-se uma prioridade para todas as nações”.
 
Com populações de elefantes em colapso em Moçambique e na Tanzânia e um número recorde de rinocerontes sendo mortos na África do Sul, a crise da caça ilegal está claramente minando os esforços globais de conservação. A resolução da ONU também enumera os efeitos de crimes ambientais de forma mais ampla, como prejuízos à boa governança, ao estado de direito e ao bem-estar das comunidades locais, além do financiamento a redes criminosas e conflitos armados.
 
“É significativo que todos os países tenham se comprometido a enfrentar a crescente ameaça que o crime organizado contra animais selvagens representa para o desenvolvimento sustentável”, disse Lambertini, lembrando que em poucas semanas a ONU irá se reunir para finalizar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
 
Reconhecendo que só uma abordagem global pode conter a crise atual, todos os 193 países membros da ONU concordaram em reforçar a cooperação regional e internacional ao longo de toda a cadeia de comércio ilegal de animais silvestres, incluindo medidas para deter a caça ilegal, o tráfico e a compra.
 
Junto com o fortalecimento dos processos judiciais e da aplicação da lei, a resolução encoraja os países a se envolverem ativamente com as comunidades locais na luta contra o comércio ilícito, reforçando os seus direitos e capacidade para gerenciar e se beneficiar dos recursos da vida selvagem.
 
“O Nepal já provou que a abordagem conjunta funciona e conseguiu três anos de caça zero a rinocerontes desde 2011, graças a uma combinação de vontade política de alto nível, guardas florestais dedicados e a participação genuína comunidade. Agora cabe a outros países seguir a iniciativa do Nepal e as medidas enunciadas na presente resolução histórica “, disse Elisabeth McLellan, chefe da Iniciativa de Crimes contra a Vida Selvagem do WWF Internacional.
 
Atraídos pelos riscos relativamente baixos e altos retornos, redes do crime organizado têm reforçado suas rotas dentro do comércio ilegal de animais silvestres, trazendo com elas métodos de caça e tráfico ilegal mais sofisticados – e com maior violência e corrupção.
 
Em resposta, a resolução destaca a natureza transnacional e organizada de crimes que afetam o meio ambiente, e salienta a necessidade dos países combaterem a corrupção e resolverem a questão da lavagem de dinheiro ligada a crimes contra a vida selvagem.
 
“Se os países implementarem plenamente a resolução, crimes contra a natureza se tornarão muito mais arriscados e muito menos gratificantes”, disse McLellan. “O forte mecanismo de comunicação da resolução deve garantir que sejam feitos progressos verdadeiros e que quaisquer lacunas críticas sejam tratadas de forma eficaz.”
 
A partir de 2016, o secretário-geral das Nações Unidas será encarregado de apresentar um relatório anual sobre crimes globais contra a vida selvagem e a implementação da resolução pelos países, juntamente com recomendações para ações futuras. Outra ação que deve ser discutida para o ano que vem é a possível nomeação de um enviado especial para o tema – um movimento que o WWF acredita que promoveria uma maior conscientização e ajudaria a garantir a participação dos países.
 
“O WWF tem desempenhado um papel fundamental na mudança global de atitude em relação aos crimes contra a natureza nos últimos anos, tendo como destaque o seu impacto nas comunidades e nas cada vez menores populações de elefantes, rinocerontes, tigres e outras espécies”, disse Lambertini. “Agora o WWF vai se concentrar em ajudar os países em seus esforços cruciais para implementar a resolução e acabar com esse flagelo mundial que são os terríveis crimes contra animais selvagens de uma vez por todas.”

(com informações da WWF – Foto: © naturepl.com / Anup Shah / WWF)

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