15 de novembro de 2017

Brasiliense é finalista em competição que levará jovens à Conferência do Clima em Paris

eduarda-tveVídeo da estudante Eduarda Zoghbi, da Universidade de Brasília, destacou-se entre os mais de 130 inscritos do mundo inteiro em concurso da ONU. Caso seja vencedora, ela ganhará viagem para atuar como repórter na COP21. 

por Andrés Gianni | ECO Brasília

Apaixonada pela temática ambiental desde criança, a brasiliense Eduarda Zoghbi, 22 anos, pode ter neste ano a oportunidade de realizar um grande sonho: participar como repórter da 21ª Conferência do Clima (COP21), que inicia em 30 de novembro, em Paris.

Para ganhar a viagem até a capital francesa e a oportunidade de filmar e escrever notícias sobre o grande evento da ONU no qual se espera costurar um novo acordo climático entre os países, a estudante do 7º semestre de Ciência Política da UnB precisa que seu vídeo seja escolhido entre os finalistas do Global Youth Video Competition on Climate Change, concurso organizado pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) em parceria com a TVE – Television for the Environment, do Reino Unido.

A competição convidou jovens de 18 a 30 anos do mundo todo para compartilhar em vídeo suas ações de combate às mudanças no clima e como elas impactaram família, amigos, escola e comunidade. Foram mais de 130 vídeos inscritos e, dentre os 24 finalistas, serão escolhidos dois vencedores que terão a viagem a Paris patrocinada. Um deles será votado pela UNFCCC e TVE e o outro será o vídeo que tiver mais visualizações no YouTube.

“Meu vídeo tem apenas 3 minutos. Para me apoiar, tudo que as pessoas precisam fazer é acessar o link e compartilhar. Eu estou praticamente empatada no primeiro lugar com uma argentina, então preciso de todo o apoio possível do Brasil”, diz Eduarda. 

Caso conquiste uma das vagas do concurso, a brasiliense pretende entrevistar em Paris personalidades que são referência no tema para compreender a visão delas sobre o problema das mudanças climáticas e o que elas propõem para que a situação seja alterada. “O meu maior desejo com essa viagem será abrir os olhos dos jovens brasileiros, que são o nosso futuro. Vejo muitos dizendo que é um tema importante, mas não se preocupam em realizar mudanças no seu dia a dia, pois acreditam que jogar um papel no chão ou deixar a torneira ligada enquanto escovam os dentes não tem impacto algum no mundo. No meu vídeo eu tento provar exatamente o contrário. Se nós não fizermos a nossa parte, que é o mínimo, a gente nunca conseguirá promover uma mudança real no mundo”, avalia a estudante.

Os dois jovens escolhidos serão premiados durante as negociações da Conferência e deverão compartilhar a sua história com todos os participantes do evento. “Fazer isso em nome do Brasil seria me transformar em um exemplo para o nosso país, que tem um dos maiores potenciais para contribuir na mitigação de gases de efeito estufa. Acho que isso não tem preço”, afirma.

Assista ao vídeo de Eduarda a seguir (quanto mais visualizações, maior a chance de vitória da estudante brasileira):

Desde cedo, “pensar global, agir local”

Eduarda lembra-se de que o contato com a temática ambiental começou quando ela tinha nove anos. Ela foi uma das alunas selecionadas para representar a Escola das Nações [tradicional escola bilíngue e internacional de Brasília] na primeira Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente, organizada em 2003 pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com o Ministério da Educação. “Nesse evento participamos de várias palestras e workshops que despertaram o meu interesse no tema, me alertando sobre a importância das mudanças climáticas.”

Ela conta que sempre foi muito ativa na escola. Como representante de turma por quatro anos seguidos, frequentemente estava na diretoria convencendo a escola a usar menos plástico e papel. “Eu colava cartazes nos bebedouros pedindo para as crianças trazerem garrafinhas e pararem de usar o copo plástico. No ano seguinte eles tiraram os copos de lá”, diz. “Foi na Escola [das Nações], onde sempre estudei, que percebi que eu tinha que começar mudando o mundo nos lugares mais próximos a mim.”

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Eduarda: mudança começa nas pequenas ações cotidianas

Em 2009, Eduarda participou da SINUS, uma simulação da ONU para jovens, representando a Alemanha na FAO (sigla em inglês para Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). O tema principal foi biocombustíveis e outras fontes de energia renovável. “No mesmo ano, fui fazer intercâmbio na Dinamarca e tive a chance de participar da COP15 do lado de fora da Conferência, protestando nas ruas junto aos dinamarqueses.”

Há dois meses Eduarda estagia na Embaixada Britânica na área de mudanças climáticas. Ela escreve um relatório mensal sobre meio ambiente que é encaminhado para Londres e outras embaixadas no mundo, descrevendo o que aconteceu de mais relevante no período no Brasil em relação às mudanças climáticas.

Embora não tenha desenvolvido pesquisa com a temática ambiental em sua graduação na UnB, “pelo simples fato de não existir nenhum estudo nessa área no Instituto de Ciência Política”, Eduarda diz que pretende fazer um mestrado com esse foco. “Já estou procurando universidades no mundo que sejam referências nesse tema. A minha meta é voltar ao Brasil e promover uma mudança maior, conscientizando as pessoas e causando um impacto maior em suas vidas.”

 

 

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