12 de dezembro de 2017

Clima dita nova geopolítica, afirma Izabella Teixeira

(Foto: Agência CNI)
(Foto: Agência CNI)

Em reunião com empresários, ministra se diz “pragmática, mas otimista” em relação à reunião de Paris

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou nesta quinta-feira (3/9), no Rio, da quarta edição do evento CNI Sustentabilidade, promoção da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que neste ano teve como foco as mudanças climáticas. Transmitidos online, os painéis reuniram empresários e especialistas que participarão da 21ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas (COP-21), em dezembro, na França.

“O que teremos em Paris será um acordo não sobre meio ambiente, mas sobre a geopolítica de desenvolvimento do planeta, sobre as novas trajetórias das economias do mundo”, ressaltou a ministra. Ela revelou-se “pragmática, mas otimista” sobre os resultados da COP 21, delineados pelo clima de consenso que vem se estabelecendo nas negociações preparatórias entre países, que aconteceram especialmente em 2015.

Protagonismo
Izabella Teixeira fez uma espécie de convocação para que o Brasil cumpra seu papel de protagonismo econômico na agenda ambiental porque “protagonismo político nós já temos”. A ministra disse que o País precisa ter “o meio ambiente como ativo do desenvolvimento”.

Ela enfatizou que o Brasil vem construindo seu INDC com diálogo e consistência. A sigla em inglês é do documento “Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida”, que representa o conjunto de compromissos que devem ser cumpridos para combate ao aquecimento global e adaptação às alterações do clima, que deve ser apresentado às Nações Unidas em setembro. Para contribuir com a sua formulação, a própria ministra conversou com setores econômicos e sociais.

A ministra comentou as diversas iniciativas brasileiras para combate às mudanças climáticas, inclusive em parceria com outros países. E citou a visita da chanceler alemã, Ângela Merkel, ao Brasil, para firmar acordo de cooperação em que o Ministério do Desenvolvimento da Alemanha oferece ao Brasil 525 milhões de euros em empréstimos para custear o desenvolvimento de fontes de energia renovável e preservação de florestas tropicais.

Legislação
O embaixador José Antônio Marcondes de Carvalho, um dos mais importantes negociadores brasileiros que estará na COP 21, explicou que as negociações em Paris serão um esforço para legislar, “criar um novo regime para o clima”. Ele comparou a cúpula dos países como “um grande congresso que são as Nações Unidas”. Mas, enfatizou que haverá outros esforços na COP 21, entre eles os debates de temas diversos que deixarão claros os compromissos assumidos pelos países e as ações convergentes que vão resultar em iniciativas globais.

O prêmio Nobel da Paz de 2007, Anders Levermann, ressaltou que não existem mais dúvidas de que o planeta está sofrendo mudanças climáticas, e recomendou que as empresas estejam preparadas. Porém, ao contrário de ser alarmista, ele considerou que o momento é de “transição para um mundo renovável, de empreendedorismo”, referindo-se, por exemplo, à geração de energia de fontes alternativas aos combustíveis fósseis.

Levermann trabalhou em avaliações do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) a respeito das consequências do clima em relação aos mares, e disse que existem estudos científicos que demonstram o derretimento de geleiras e o aumento do nível dos oceanos.

Segundo ele, são situações que exigem emissões negativas de gases de efeito estufa para se estabilizar o aquecimento global em no máximo 2 graus centígrados em relação à era pré-industrial. Quanto maiores forem as mudanças de clima, mais os governos e iniciativa privada terão que pagar para ações de mitigação e adaptação, acrescentou.

(com informações do Ministério do Meio Ambiente)

 

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