Se reduzir CO2, Brasil pode injetar mais de R$ 600 bilhões no PIB

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A redução das emissões de gases de efeito estufa poderá gerar até R$ 609 bilhões a mais no Produto Interno Bruto (PIB) do País. Levantamento divulgado na terça-feira (22/09), em Brasília, pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC) contabiliza o acréscimo no valor projetado no período de 2015 a 2030 caso medidas ambiciosas de corte de carbono sejam adotadas.

O incremento na economia poderá ser alcançado por meio de ações como o aumento no uso de biocombustíveis e de investimentos no setor de transportes, segundo as proposições do estudo, apresentado em cerimônia no Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os pesquisadores apontam, ainda, a agricultura de baixo carbono e o incentivo ao carvão vegetal na siderurgia como alternativas para alavancar uma economia verde no país.

Políticas públicas
Os dados levantados pela comunidade científica deverão servir para embasar futuras ações do governo federal. De acordo com a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o objetivo é aumentar o sucesso das políticas públicas adotadas no país. “Não pode haver um abismo entre a ciência e os tomadores de decisão”, destacou. “A união de ambos é uma forma de tornar as ações mais eficientes do ponto de vista ambiental e econômico.”

As projeções coincidem com os interesses brasileiros de corte de carbono e promoção do desenvolvimento sustentável frente à comunidade global. Nos próximos dias, o país apresentará às Nações Unidas a meta nacional (INDC, na sigla em inglês) de redução de emissões para limitar o aumento da temperatura média do planeta a até 2°C. Com isso, o Brasil oficializará sua parcela de contribuição para o futuro regime climático mundial.

A nova ordem climática será ditada pelo protocolo que os 193 países signatários da Convenção de Clima da ONU negociarão no fim do ano, em Paris. “Apesar do de otimista, reconheço que a negociação não será fácil por conta da polarização atual”, ponderou Izabella Teixeira. Segundo ela, no entanto, o Brasil ocupa posição favorável no debate. “A INDC que apresentaremos é coerente com os interesses do país e com o corpo técnico da Convenção”, justificou.

Variáveis
O estudo Implicações Econômicas e Sociais: Cenários de Mitigação de Gases de Efeito Estufa (IES-Brasil) foi coordenado pelos professores Luiz Pinguelli Rosa e Emilio La Rovere, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro). A pesquisa contou com a participação de representantes dos principais setores da economia e com o apoio institucional do governo federal.

Foram avaliados os impactos dos cenários de mitigação sobre os principais indicadores econômicos e sociais, como a evolução do PIB, a taxa de desemprego, o índice geral de preços, a taxa de investimento, o saldo da balança comercial e o consumo das famílias.

Cada variável foi projetada a partir de uma comparação entre os efeitos esperados das ações já em andamento da Política Nacional sobre a Mudança do Clima com o que poderá ocorrer caso o Brasil adote medidas adicionais de mitigação de emissões.

As projeções positivas para o incremento do PIB foram feitas com base no valor da moeda brasileira em 2005 e mostram a possibilidade de aquecer a economia por meio de medidas ambientais. “Os números mostram que é possível mudar apenas ampliando o que governo já desenvolve atualmente”, resumiu Luiz Pinguelli Rosa, um dos coordenadores do levantamento e secretário-geral do FBMC.

(com informações do Ministério do Meio Ambiente)

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