19 de novembro de 2017

Novas tecnologias reduzem uso de agrotóxicos

Foto: Marcos Alexandre (Embrapa)
Foto: Marcos Alexandre (Embrapa)

Três tecnologias desenvolvidas pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) podem elevar o nível de controle de pragas e doenças, com redução do uso de produtos nas lavouras, em resposta às demandas da sociedade por soluções tecnológicas que determinem métodos mais eficientes para mitigar o uso de agroquímicos no campo.

A Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) desenvolveu e licenciou tecnologias que aprimoram a pulverização eletrostática. São elas: o sistema universal de eletrificação de gotas; o sistema pneumático eletrostático transportado e o pulverizador costal eletrostático. Essas inovações contemplam diversas possibilidades de aplicações, de acordo com a necessidade de cada cultura, de pequeno, médio e grande porte, o que amplia sua utilização.

Para o pesquisador da Embrapa Aldemir Chaim, responsável pela orientação das pesquisas na área, a Empresa conseguiu desenvolver sistemas revolucionários de pulverização eletrostática de baixo custo. “Trata-se de tecnologias capazes de modernizar e baratear os tratos culturais em nossas principais culturas”, explica.

 

Uma das tecnologias, o sistema universal de eletrificação de gotas, vai permitir que qualquer pulverizador hidráulico comum passe a operar como eletrostático. A previsão é de que o sistema hidráulico comum, quando convertido, agregue ao processo 30% a 40% de economicidade e eficiência.

A conversão é possível por meio da utilização dos bicos desenvolvidos pela pesquisa que possuem determinadas características de vazão, ou seja, que possibilitam a emissão de gotas de dimensões mais adequadas ao sistema de pulverização eletrostática.

Detalhe Bico do Sistema de conversão eletrostático - Foto: Marcos Alexandre
Detalhe Bico do Sistema de conversão eletrostático – Foto: Marcos Alexandre

Segundo Chaim, o sistema, ainda em fase de protótipo, permitirá que a agricultura brasileira se estabeleça em um novo cenário de pulverizações, mais tecnológico e eficiente. “A característica principal deste novo sistema é que o bico de pulverização eletrostático é capaz de realizar o mesmo trabalho que o hidráulico já realiza, mas acrescenta a capacidade de gerar carga eletrostática, fazendo com que as gotas também se depositem nas partes inferiores das folhas”, explica.

O sistema universal de eletrificação de gotas para bicos hidráulico foi licenciado junto à Embrapa pela empresa Magnojet Indústria e Comércio de Produtos Agrícolas, que realizou demonstração tecnológica durante a 23ª edição da Agrishow, neste mês, em Ribeirão Preto (SP).

Sistema transportado com indução de ar

Esse sistema de pulverização eletrostática produz um dos maiores índices de carga de eletrificação de gotas já registrado no mundo para este tipo de equipamento, sendo indicado para plantas que apresentam alta densidade de folhas. “O diferencial desse equipamento é que as gotas são carregadas com mais eficiência para o interior das plantas pelo jato de ar que pulveriza o produto (ar comprimido), proporcionando atingir regiões mais escondidas, como galhos, folhas e caule”, esclarece o pesquisador.

Com tecnologia nacional, gerada na Embrapa, serve de base para outras patentes e tem despertado o interesse de várias empresas em difundir e aperfeiçoar a tecnologia. A empresa B&D equipamentos agrícolas, que irá produzir e comercializar o bico pulverizador pneumático, realiza testes de eficiência para o controle da mosca-branca em hortaliças em cultivo abrigado. A B&D obteve índices satisfatórios de controle da praga, aliada à redução de até 90% do volume de calda aplicada por área.

Pulverizador costal eletrostático

Pequenos e médios produtores rurais agora poderão contar com um aliado importante para realizar o controle fitossanitário: o pulverizador eletrostático costal modelo Jetbrás, desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente e aperfeiçoado em parceria com a empresa Bells Indústria Eletrônica, de Timbó (SC).

O equipamento foi criado para operações de aplicação de caldas fitossanitárias, sejam elas químicas ou biológicas, fitorreguladores, inseticidas, produtos veterinários e outros usos rurais. Pode ser empregado em todas as culturas nas quais pulverizadores costais são indicados, especialmente naquelas referentes à olericultura e à fruticultura. Permite redução do uso de calda de pulverização em até 90% e possibilita índice de controle fitossanitário de até 97%.

Conforme informou o diretor da Bells, José Tadeo de Souza, o produto é direcionado para o agricultor de pequeno porte, pois possui custo acessível a este segmento, além de agregar um conjunto de vantagens tecnológicas que irão impactar positivamente todo o processo produtivo.

A Bells recentemente realizou testes comparativos em diversas culturas, com manejos diferentes, em que o equipamento demonstrou capacidade de contribuir para um controle fitossanitário mais eficiente e capaz de gerar economicidade, demandas urgentes e comuns aos diversos setores da cadeia produtiva.

A pulverização eletrostática

O método inovador de pulverização eletrostática tem demostrado capacidade de reduzir de 50% a 90% da calda aplicada por área, se comparado aos processos tradicionais de pulverização. Além disso, possibilita um aumento considerável nos índices de eficiência de controle de pragas, diretamente relacionadas às deposições mais completas do princípio ativo diretamente na planta-alvo.

Nesse sentido os novos métodos são capazes de promover maior racionalização do uso de agrotóxico no campo, melhorar o controle de pragas, diminuir os custos de produção e gerar mais segurança para os operadores e para os alimentos produzidos.

A eficiência do sistema se baseia nas condições criadas para que gotas diminutas, medindo até 40 mícrons (metade da espessura de um fio de cabelo), atinjam áreas ou alvos que não seriam atingidos pelo processo de pulverização com bicos hidráulicos convencionais.

 

Essas são vantagens que a tecnologia de pulverização eletrostática apresenta em comparação a outras formas de aplicação de herbicidas, fungicidas e inseticidas, comumente utilizadas.

A eletrohidrodinâmica é empregada desde a década de 1960, nas indústrias, em processos de pintura e, mais recentemente, em impressoras a jato de tinta. Contudo, seu uso na agricultura era considerado dispendioso e carente de ajustes tecnológicos, peculiaridades que dificultaram sua utilização por pequenos e médios produtores até agora.

As pesquisas orientadas pela Embrapa Meio Ambiente são conduzidas por métodos eficientes de controle de pragas e doenças nas lavouras e ainda objetivam gerar soluções que também contemplem a redução dos riscos ambientais e sociais nos processos de controle fitossanitário, bem como nos custos dos equipamentos baseados em pulverização eletrostática.

Conforme o pesquisador Chaim, o surgimento de novas pragas e doenças determinou o uso de grandes quantidades de agrotóxicos e essas questões têm contribuído para a elevação dos custos de produção, contaminação do ambiente, alimentos e pessoas.

“A eletrostática pode auxiliar a racionalizar o controle fitossanitário na agricultura, tendo por base o exemplo da indústria moderna,  em que as pinturas são executadas por métodos eletrostáticos, justamente para a obtenção de melhores deposições da tinta e redução dos desperdícios causados pela deriva. Na lavoura não é diferente e essa tecnologia se apresenta como a mais eficiente, necessitando de quantidades menores de calda para a obtenção de índices de eficiência mais elevados. Portanto, é o futuro do processo”, afirma o pesquisador.

(com informações da Embrapa Meio Ambiente / Marcos Vicente)

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