19 de novembro de 2017

Biólogo desenvolve tecnologia que utiliza energia solar para tratamento de esgoto

rodrigo_berte1O destino do esgoto sanitário é uma questão que afeta o meio ambiente, a saúde e a economia do país, mas não recebe a atenção adequada. A situação pode ser um pouco melhor na região Sul do que no Nordeste, mas em todas as regiões existem problemas com o tratamento do esgoto, que é lançado diretamente nos rios, causando uma série de consequências na qualidade da água, além da mortandade dos peixes.

A falta de saneamento básico ambiental, no que se refere à rede de esgoto, faz com que a população fique mais exposta a várias doenças, desde aquelas que já estão banalizadas, como diarreia, até o agravamento de epidemias. A falta de atenção com o saneamento pode contribuir inclusive para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.

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Segundo Berté, tecnologia pode beneficiar muitas regiões

Apesar de ser uma questão de conhecimento geral, muitas vezes é preciso a iniciativa de pequenos grupos para chamar a atenção das autoridades da esfera ambiental, que manejam as unidades de conservação nacionais, estaduais e municipais, para a possibilidade de disseminação de princípios da ecologia e do meio ambiente.

Nesse contexto, há quatro anos o biólogo Rodrigo Berté, PhD em Educação e Ciências Ambientais e diretor da Escola Superior de Saúde, Meio Ambiente, Sustentabilidade e Humanidades do Uninter começou a pensar em uma alternativa para criar um sistema de tratamento de esgoto movido a energia solar. “Uma solução que demanda pouca manutenção e contribui para que o lançamento do esgoto nos rios não resulte em contaminação e consequentemente na morte de vários peixes”, diz Berté.

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A estrutura é simples e não utiliza produtos químicos. Com o apoio técnico de um engenheiro e um profissional da área de ciências agrícolas, o projeto sustentável foi realizado em uma miniunidade de conservação particular, composta por um módulo formado a partir de tubos a base de plástico (PEAD ou PP), no estilo colmeia, uma cópia do que a própria natureza produz. “Na prática, são duas colmeias que ficam girando para manter o tratamento biológico e a formação de bactérias que degradarão o material sólido e melhorarão a qualidade para o lançamento em rios, parques e florestas”, explica o biólogo.

Segundo Berté, trata-se de tecnologia inédita na busca de uma solução para diminuir os impactos provocados pela ação humana. “Pode beneficiar muitas regiões, pois uma pequena estrutura como esta pode atender até quatro casas em um condomínio”, diz. Além de colocar em prática os princípios da sustentabilidade, a iniciativa instalada no Uninter de São Francisco do Sul (SC) é uma atividade de aprendizagem que promove a ampliação dos horizontes de sensibilização ambiental e recebe a visita de centenas de alunos todos os anos.

“É apenas uma das soluções possíveis para o problema crônico de saneamento que temos no país. A questão não é uma realidade distante, afinal, 43% da população, quase a metade, vive em cidades sem rede de tratamento de esgoto”, finaliza o biólogo.

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