Lideranças empresariais apresentam ao governo contribuições para a implementação do Acordo de Paris

(divulgação)Articulados pelo CEBDS, empresários trouxeram a Brasília propostas para impulsionar o financiamento à energia renovável e à eficiência energética no Brasil, tendo em vista os compromissos assumidos pelo país para enfrentar o aquecimento global

Líderes empresariais apresentaram ao ministro do Meio Ambiente José Sarney Filho e parlamentares suas contribuições para a implementação do Acordo de Paris no Brasil. As propostas visam a impulsionar o financiamento à energia renovável e a eficiência energética no País. Reunindo cerca de 150 pessoas, representando dezenas de grupos empresariais e organizações da sociedade civil, o encontro ocorreu nesta quarta-feira (24), durante um café da manhã na Câmara dos Deputados, em Brasília.

O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista (FPA), deputado federal Ricardo Tripoli, destacou que o processo de ratificação do Acordo de Paris pelo Congresso Nacional foi dos mais rápidos que ele já viu tramitar pela Casa. “Isso demonstra o comprometimento do Poder Legislativo com a pauta”, afirmou.

A presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Marina Grossi, parabenizou os parlamentares pela celeridade na tramitação do acordo e salientou que o País também precisa agir rapidamente para alcançar as metas que estabeleceu. “O desafio agora é a implementação de ações concretas, e com a urgência com que devem ser implementadas. As empresas estão aqui comprometidas com as metas, trazendo propostas viáveis. Esperamos que essa seja a primeira de uma série de reuniões”, destacou.

O ministro Sarney Filho assegurou a continuidade do diálogo visando a construção de um plano de ação. “A mudança do padrão de consumo e de produção só se dará com o apoio do empresariado, e é dentro dessa perspectiva que o ministério se coloca como parceiro dos processos de desenvolvimento. Entendemos que o desenvolvimento é um parceiro do meio ambiente, não antagonista”, concluiu.

 

Propostas

As propostas formuladas pelo Conselho de Líderes do CEDBS foram apresentadas pelo presidente e CEO da General Electric Brasil, Gilberto Peralta; pelo CEO da Siemens Brasil, Paulo Stark; e pela superintendente executiva do Santander, Linda Murasawa. As contribuições fazem parte dos estudos Financiamento à Energia Renovável: Entraves, Desafios e Oportunidades e Consumo Eficiente de Energia Elétrica: Uma Agenda para o Brasil.

Gilberto Peralta ressaltou que as contribuições apresentadas partem de tecnologias e experiências regulatórias já existentes, capazes de evitar que o Brasil perca o equivalente à metade da energia gerada em Itaipu por ano.

Entre os compromissos assumidos pelo Brasil no âmbito da COP21, através da sua Contribuição Pretendida Nacionalmente Determinada (iNDC), está a melhoria de eficiência elétrica de 10% até 2030. As lideranças empresarias, porém, acreditam que essa meta pode ser ultrapassada, chegando até 20% de conservação de energia no mesmo período. Para tanto, os estudos apontam medidas a serem tomadas pela indústria, comércio, residências, vias públicas, entre outras, com destaque para a utilização de tecnologias baseadas em motores elétricos de alto rendimento e iluminação por LED. Também são propostos estímulos tarifários e uma maior investigação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sobre os desperdícios nos segmentos de geração e transmissão.

Paulo Stark e Linda Murasawa disseram que os estudos feitos identificaram as barreiras encontradas por projetos ecossustentáveis em busca de financiamento, apontando algumas soluções. “Quisemos saber porque isso não avança se há tecnologia e se são viáveis economicamente”, disse Murasawa, afirmando que a energia eólica hoje é mais barata do país, custando R$ 102 por MW, enquanto a hidrelétrica vale R$ 133.

Entre as soluções apontadas estão a criação de novos fundos, de instrumentos financeiros como green bonds; modelos de negócios como leasing e Power Purchase Agreements (PPAs). O estudo propõe ainda, em relação aos recursos do BNDES, criar um fundo de hedge cambial para que, ao invés de financiar diretamente os empreendimentos, o banco público passe a cobrir o risco cambial de contrair empréstimos externos.

 

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