15 de novembro de 2017

Direto da COP22: Desafios das mulheres no contexto do aquecimento global são destaque na Conferência do Clima

Foto: Eduarda Zoghbi
Foto: Eduarda Zoghbi

por Eduarda Zoghbi 

Marrakech, 16/11/2016 – A primeira semana da COP22, a Conferência do Clima das Nações Unidas, que acontece até o dia 18 em Marrakesh, no Marrocos, foi marcada por inúmeras discussões relacionadas às mudanças climáticas. Um dos temas de maior destaque foi o papel das mulheres em um mundo que está ficando cada vez mais quente. A rede Women & Gender Constituency, que atua no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC) está organizando todos os dias, pela manhã, reuniões para dar espaço a mulheres de todos os lugares do mundo para que falem sobre suas dificuldades que só crescem com o aquecimento global.

A partir dessa iniciativa, elas comemoraram no dia 9 de novembro o dia da mulher africana dentro da Conferência. Mulheres que representavam o norte, sul, leste e oeste do continente africano compartilharam o impacto que o aquecimento tem sobre a agricultura, a água, a saúde e, sobretudo, a política. A maior parte delas trabalham em fazendas, para sustentar suas famílias, algo que é lei em seus países. O problema é que com o aquecimento, a falta de água para irrigar os solos e a mudança brusca de clima em momentos em que a chuva é esperada diminuem muito a produção agrícola.

Uma representante do Chade, compartilhou com a plateia que cada vez mais os homens deixam suas mulheres em busca de comida e melhores condições de vida. Nessa situação, a mulher se torna responsável não apenas pelo filho mas também pelos outros membros da família que ficaram para trás. Enquanto isso, a falta de representação política nos espaços de tomada de decisão deixa as mulheres mais vulneráveis, levando-as a trabalharem o dobro para se manterem nessas condições.

A ONG holandesa BothEnds abordou o tema em um outro evento, contando com a participação de um representante da Agência de Meio Ambiente de Zimbábue que relacionou gênero, mineração e energia. Vários países africanos são foco de exploração mineral por grandes indústrias, e as consequências dessa exploração impactam não só as mulheres mas a população como um todo. O maior impacto é na saúde da população, que sofre com a falta de água potável para o consumo.

Palestra organizada pela ONG holandesa BothEnds (Foto: Eduarda Zoghbi)

Grande parte dos problemas citados nas discussões de gênero da COP22 se relacionam com a necessidade de um financiamento mais direcionado às populações que mais carecem e, pelo fato de a mulher ter pouco espaço na política doméstica, ela não tem voz para fazer essa reivindicação. Apesar de um dos pontos focais da discussão ser as mulheres africanas, esse é um dilema que mulheres no mundo todo vivem.

A rede do Women & Gender Constituency concordou com as demandas feitas nas reuniões de gênero de que o direito das mulheres no Acordo de Paris está restrito ao preâmbulo do documento, e isso não é suficiente, devendo também haver esse reconhecimento nas cláusulas de financiamento e adaptação. O pedido de inclusão será avaliado pelo secretariado da UNFCCC durante a COP22, e enquanto isso, as pressões para haver mais inclusão de gênero nas discussões continuam crescendo.

 

Compartilhe!

Veja mais notícias

error: Conteúdo protegido.