15 de dezembro de 2017

Cooperativa Sonho de Liberdade inaugura fábrica de bolas e showroom de móveis

(Divulgação/FBB)

Produção é realizada por ex-presidiários com o objetivo de gerar oportunidade de trabalho e renda

Nesta semana a Cooperativa Sonho de Liberdade inicia a produção de bolas esportivas e abre um espaço para expor móveis artesanais na sede da entidade, na Cidade do Automóvel, em Brasília.

A entidade existe desde 2009 e promove a inclusão social de ex-presidiários e pessoas carentes por meio da reciclagem de madeira e concreto descartados da construção civil. Atualmente, a cooperativa emprega 30 pessoas.

>>> Conheça a história da Cooperativa Sonho de Liberdade aqui

O nova fábrica de bolas esportivas vai incluir também mão-de-obra de detentos. “Nós damos oportunidade para aqueles que estão excluídos até pela própria família”, explica o fundador da Sonho de Liberdade, Fernando Figueiredo.

O galpão onde vai funcionar a fábrica de bolas e o espaço para exposição dos móveis contam com apoio da Fundação Banco do Brasil e do Instituto Viva Cidadania, que é responsável pelas ações sociais da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB).

No total, a Fundação BB investiu R$ 286 mil na cooperativa para a compra de maquinário da marcenaria e para a ampliação das instalações elétricas. Além disso, foi realizada a reestruturação sanitária e reaplicadas três unidades da Tecnologias Social Fossas Sépticas Biodigestoras para tratamento do esgoto que antes era despejado a céu aberto.

O cooperado Carlos Renê da Nóbrega saiu da cadeia há oito anos e está há cinco na cooperativa, onde atua na produção dos móveis artesanais com madeiras que seriam descartadas. Além da oportunidade de trabalho, ele valoriza a preservação ambiental que o ofício proporciona. “Aqui comecei a entender o que era sustentabilidade e a ter mais consciência. Trabalhando essa madeira a gente evita que muita árvore seja cortada”, explica com orgulho.

O trabalhador Jeverson Soares Silva está há quatro meses na Sonho de Liberdade e hoje atua como pedreiro, pintor e eletricista. Tem suor do trabalho dele envolvido na restruturação elétrica e sanitária das instalações e na construção do galpão. “O bom é que estou trabalhando e me integrando à sociedade, construindo novas amizades”, afirma.

A cooperada Idalina de Jesus trabalha há quase dez anos no empreendimento. “Aqui aprendi a dar valor à vida”, diz.  Hoje, Idalina atua na serraria, onde corta a madeira para diversos fins, inclusive a fabricação de móveis da linha popular, como baú, pufes, sapateiras e poltronas infantis. Ela tem quatro filhos e um cumpre pena em Brasília. Ela aguarda ele sair em breve para o regime semiaberto e começar a trabalhar na Sonho de Liberdade. “Aqui é muito bom, me ajuda e ajuda a minha família”, afirma.  

A produção de bolas para futebol de salão, de campo e vôlei vai começar no galpão da cooperativa, com o corte do material laminado sintético e a serigrafia, que vai imprimir estampas conforme a encomenda. A etapa seguinte, a costura manual, ficará sob a responsabilidade de presidiários do Distrito Federal e entorno. Será uma “terapia ocupacional” para os detentos, segundo o presidente da entidade, além de permitir a redução de pena – para cada dia trabalhado, são descontados três.

(FBB)

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