Trump anuncia saída dos EUA do Acordo de Paris sobre o clima

(Reprodução White House)

Nesta quinta (1º), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a decisão de retirar o país do Acordo de Paris, que define os compromissos globais na luta contra os efeitos das mudanças climáticas.

O anúncio do presidente americano vai de encontro à decisão de líderes mundiais expressa recentemente na reunião de cúpula do G7 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo) no sentido de apoiar o acordo climático.

O governo brasileiro se disse decepcionado com o anúncio de Trump. Por meio dos ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente, o Brasil manifestou preocupação com o “impacto negativo” que a decisão pode causar e se comprometeu novamente com o “esforço global de combate” às mudanças climáticas.

Segundo maior emissor de gases depois da China, os Estados Unidos respondem por 18% do carbono lançado na atmosfera terrestre, ou 6,5 milhões de toneladas por ano. A saída americana torna ainda mais difíceis as metas do acordo, de reduzir o carbono na atmosfera de 69 bilhões de toneladas para 56 bilhões, e negociar novos objetivos para manter, até 2100, o aquecimento global no nível tolerável, inferior a 2 graus Celsius (ºC).

A saída norte-americana poderá levar outros países a rever sua participação no acordo. Pelas metas submetidas, já é incerto que o nível tolerável seja atingido. Reduzirão as emissões do nível atual, que aqueceria o planeta 4,2ºC, para apenas 3,3 ºC, segundo análise do Climate Interactive. Sem os Estados Unidos, esse patamar poderá facilmente subir para acima de 3,5 ºC, ou mesmo 3,8 ºC.

De acordo com previsão de cientistas, as consequências para o clima da Terra poderão ser catastróficas, com o derretimento de geleiras, elevação do nível do mar e maior intensidade de eventos extremos como tempestades, enchentes, secas e furacões.

 

Entidades ambientais criticam decisão

Entidades de proteção ambiental se manifestaram contrárias à decisão de Trump. O WWF divulgou nota defendendo o tratado. Para o diretor-geral do WWF-Brasil, Maurício Voivodic, o acordo continua forte, mesmo com a saída dos Estados Unidos. “As manifestações em todo o mundo e as tendências da economia mundial mostram que o Acordo de Paris continuará firme e forte, independentemente da decisão de Trump. O movimento de descarbonização mundial já está em andamento e é irreversível”.

Já o Greenpeace afirmou, em nota, que a decisão de Trump custará a liderança global dos Estados Unidos. “Trump está entregando a liderança global dos Estados Unidos para os verdadeiros líderes mundiais que estão aproveitando a oportunidade de proteger seus países e o clima […]. Estamos testemunhando uma mudança na ordem global já que Europa, China e outros lideram o caminho adiante”, disse a diretora-executiva internacional da entidade, Jennifer Morgan.

(com informações da Agência Brasil)

 

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